Bio

Aos 85 anos, o paulistano Rubens Cordeiro é um dos principais desenhistas e quadrinistas brasileiros em atividade.

Reconhecido como mestre do P&B, foi pela sua refinada técnica do pincel e do bico de pena embebidos em nanquim preto que ele contribuiu, ao longo de cinco décadas, com a arte da HQ no Brasil. Em 2002 ganhou o Prêmio Angelo Agostini, na categoria Mestre do Quadrinho Nacional.

Rubens Cordeiro em Amsterdam visita a loja Lambiek, referência da HQ na Europa.
Rubens Cordeiro em Amsterdam visita a loja Lambiek, referência da HQ na Europa.

Com apenas cinco anos de idade, Rubens revelava o talento para desenhar. Incentivado pelos pais Anna Ribeiro Cordeiro e José Franscisco Cordeiro, cedo ele começou a desenvolver seus traços, primeiro interpretando figuras e fotografias que via nas revistas e jornais que o pai lhe trazia.

Rip Kirby (Nick Holmes no Brasil), personagem de Alex Raymond e Ward Greene desenhado por Rubens aos 15 anos de idade.
Rip Kirby (Nick Holmes no Brasil), personagem de Alex Raymond e Ward Greene desenhado por Rubens aos 15 anos de idade.
The Spirit desenhado por Rubens aos 15 anos de idade.
The Spirit desenhado por Rubens aos 15 anos de idade.

Autodidata, Rubens aprendeu as técnicas do pincel e do bico de pena observando os desenhos de mestres da HQ na sua infância e juventude, quando reproduzia as imagens de personagens criados por Alex Raymond (Flash Gordon, Secret Agent X-9, Rip Kirby), Hal Foster (Prince Valiant, Tarzan), Will Eisner (The Spirit).

Autografo de Will Eisner a Rubens Cordeiro em 1987.
Autografo de Will Eisner a Rubens Cordeiro em 1987.

Todavia, foi Milton Caniff (Terry and the Pirates, Steve Canyon), aquele em que Rubens encontraria uma fonte expressiva de maior influência para os seus estudos do P&B. Os amigos artistas assim o consideram um legítimo caniffiano! Outros mestres, tais como Eugenio Colonnese, Hugo Pratt, Guido Crepax e Milo Manara, foram referências importantes em sua trajetória artística. E a busca por uma síntese imagética no uso do P&B o levou a desenvolver suas pinceladas em nanquim preto, técnica que domina.

Primeiras HQs

Nos anos 1960, ele conheceu artistas com quem atuou nas principais revistas de HQ publicadas no Brasil. Criou personagens tais como Golden Guitar (em parceria com Rivaldo Macedo e Benedito Aparecido da Silva, o ‘Apa’), Super Argo (em parceria com Eugenio Colonnese), Mystiko (em parceria com Percival de Souza), Patrulheiro Fantasma, Homem-Fera (em parceria com Apa e Carlos M. Vaya).

Personagens

Nas décadas de 1970 e 80, chamado por Primaggio Mantovi como artista da Abril, desenhou diversos personagens e super-heróis, tais como o Homem Aranha, Homem de Ferro, Fantasma, Homem Pássaro, Herculóides, Pantera Negra, Batman, entre outros. Em especial, o Zorro foi um dos personagens para o qual o desenho de Rubens imprimiu grande expressividade, sendo reconhecido por isto entre os colegas desenhistas.

Noir

Rubens aprimorou o clima noir de suas imagens, sobretudo em HQs de horror, desenhando para as duas principais revistas de HQ brasileira dos anos 1980 – Calafrio e Mestres do Terror ambas publicadas pela D’Arte, editora do amigo artista Rodolfo Zalla.

Séries em Preto & Branco

A partir dos anos 1990, Rubens Cordeiro iniciou várias séries de imagens, produzindo-as até hoje, principalmente retratos de personagens, cenas de filmes e paisagens, todas elas na técnica do pincel e nanquim sobre papel. Como diz, tais séries são feitas para estudar o P&B.

Rubens desenha todos os dias em sua velha prancheta, a mesma que o acompanha desde os tempos em que se dedicou profissionalmente à arte da HQ, 5o anos atrás.


Veja aqui uma entrevista com Rubens Cordeiro.

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